TOMANDO LULA COMO EXEMPLO: o alvo pode não ser Livânia Farias – Por Flávio Lúcio

Vejam se minhas suspeitas não têm fundamento. Qualquer brasileiro que tenha prestado um mínimo de atenção aos acontecimentos dos últimos anos saberá reconhecer essa trama mal arranjada.
Primeiro, escolhe-se o “criminoso” e só depois o crime pelo qual ele purgará será apontado.
No estágio inicial da trama, o principal é o que não é dito, mas o que fica subentendido para a construção de uma narrativa que pretende ter início, meio e fim. O tema central, como sempre, é a corrupção, a matéria-prima com que as farsas jurídicas foram construídas nos últimos anos nessa burlesca República de Bananas na qual estão reconvertendo o Brasil.
Afinal, Sergio Moro não condenou Lula sem provas para afastá-lo da política e da eleição para a qual era favorito? E depois não aceitou ser Ministro do candidato eleito, o principal adversário de Lula na eleição? Às favas os escrúpulos!
E o apelo à corrupção com o objetivo de enlamear lideranças políticas de esquerda, como quem é bem informado sabe, não é exatamente uma novidade histórica no Brasil, mas nesses tempos turvos dominados pelas redes sociais, o que menos importa é a verdade factual. Basta a versão, basta uma narrativa, que não precisa ser tão bem elaborada, para que as convicções se estabeleçam.
No chão fértil do todo político é corrupto não é preciso muito esforço para que as ervas daninhas sejam confundidas com fruteiras coloridas. Enquanto crescem seus frutos, de aparência saudável para as instituições, na verdade elas já carregam o sabor acre do veneno e o odor da podridão que torna a politica um mal em si mesmo, e que corrói a democracia, matando por dentro suas instituições nos apelos à turba.
A corrupção é o mais apropriado combustível para acender as fogueiras nas quais os feiticeiros e as feiticeiras da política, todas em suas vestes vermelhas, queimarão, enquanto as bestas do apocalipse bradam com suas tochas ardentes a sua moralidade torta.
Lá no alto, os abutres da mídia planam em círculos, ansiando por saborearem o resultado do seu serviço sujo. Estão fartos de jogarem carniça às hienas. Por ódio ou interesses inconfessáveis − na maioria das vezes, os dois juntos, − abrem a cena para cumprirem seu papel, que é o de destruir reputações, enquanto os seus permanecem devidamente protegidos. Levantam suspeitas, revelam detalhes, mas escondem o principal.
Não nos enganemos, então. Saberemos em breve se o “criminoso” dessa estória, os mocinhos − esses Dallanhóis e Moros da vida que infestam o sistema judiciário − já foram escolhidos. E se já preparam meticulosamente os powerpoints com os quais pretendem mais uma vez demonstrar sua pós-verdade.
Mas, é bom que esses “supostos” mocinhos e os abutres da mídia também se apercebam disso: o Brasil começa a acordar para essas farsas, sobretudo porque se trata de uma história que eles querem ver repetidas.
E, como todo mundo sabe, a história nunca se repete.
Fonte: Blog do Flávio Lúcio
Créditos: Flávio Lúcio Vieira
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